Era uma vez, em Canaã, uma família numerosa e abençoada por Deus. Jacó, também conhecido como Israel, era o patriarca dessa família. Ele tinha doze filhos, mas um deles, José, era especialmente querido por ele. José era filho de Raquel, a esposa que Jacó mais amava, e isso fazia com que ele tivesse um lugar especial no coração do pai. Jacó demonstrava seu afeto de maneira visível, presenteando José com uma túnica colorida, uma peça de roupa luxuosa e cheia de cores vibrantes, algo raro e valioso naquela época.
No entanto, esse favoritismo não passou despercebido pelos outros irmãos. Eles começaram a nutrir um profundo ressentimento contra José, especialmente porque ele não hesitava em contar os sonhos que tinha. Um dia, José compartilhou um sonho que deixou todos ainda mais irritados. Ele disse: "Escutem o sonho que tive. Estávamos no campo, amarrando feixes de trigo. De repente, o meu feixe se levantou e ficou em pé, enquanto os feixes de vocês se ajuntavam ao redor do meu e se curvavam diante dele."
Os irmãos olharam uns para os outros com raiva e incredulidade. "Então você vai reinar sobre nós? Você vai nos governar?", perguntaram com sarcasmo. O sonho só aumentou a hostilidade deles, mas José não parecia perceber o quanto suas palavras os afetavam.
Algum tempo depois, José teve outro sonho e, mais uma vez, decidiu compartilhá-lo com a família. Dessa vez, ele disse: "Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim." Dessa vez, até Jacó, seu pai, ficou perturbado. "O que significa esse sonho?", perguntou ele. "Sua mãe, seus irmãos e eu vamos nos curvar diante de você?" Apesar de repreender José, Jacó guardou essas palavras no coração, talvez suspeitando que havia algo divino naqueles sonhos.
Enquanto isso, os irmãos de José estavam cuidando dos rebanhos da família em Siquém. Um dia, Jacó chamou José e disse: "Vá ver como estão seus irmãos e os rebanhos, e traga-me notícias." José obedeceu prontamente e partiu de Hebrom em direção a Siquém. No caminho, ele se perdeu e acabou encontrando um homem que lhe perguntou: "O que você está procurando?" José respondeu: "Estou procurando meus irmãos. Você sabe onde eles estão pastoreando os rebanhos?" O homem indicou o caminho para Dotã, e José seguiu adiante.
Quando os irmãos viram José se aproximando de longe, reconheceram-no imediatamente pela túnica colorida. A raiva e o ciúme que já fervilhavam em seus corações explodiram. "Lá vem o sonhador!", disseram uns aos outros. "Vamos matá-lo e jogá-lo num poço. Depois, diremos que um animal selvagem o devorou. Vamos ver o que acontece com os sonhos dele!"
Rúben, o irmão mais velho, tentou intervir. "Não o matem", disse ele. "Joguem-no neste poço aqui no deserto, mas não levantem a mão contra ele." Rúben planejava resgatar José mais tarde e levá-lo de volta ao pai. Quando José chegou, os irmãos o agarraram, arrancaram sua túnica colorida e o jogaram num poço seco. Enquanto José clamava por ajuda, eles se sentaram para comer, indiferentes ao seu sofrimento.
Enquanto comiam, avistaram uma caravana de ismaelitas que se aproximava, vindo de Gileade. Judá teve uma ideia: "O que ganharemos se matarmos nosso irmão e escondermos o seu sangue? Vamos vendê-lo aos ismaelitas. Assim, não seremos culpados do seu sangue, afinal, ele é nosso irmão." Os outros concordaram, e quando os mercadores se aproximaram, eles tiraram José do poço e o venderam por vinte peças de prata. José foi levado para o Egito como escravo.
Os irmãos, então, pegaram a túnica colorida de José, mataram um cabrito e mergulharam a túnica no sangue. Levaram-na de volta a Jacó e disseram: "Encontramos isso. Veja se é a túnica do seu filho." Jacó reconheceu a túnica imediatamente e, tomado por uma dor profunda, gritou: "É a túnica do meu filho! Um animal selvagem o devorou! José foi despedaçado!" Ele rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e chorou por muitos dias. Seus filhos e filhas tentaram consolá-lo, mas ele se recusou a ser confortado, dizendo: "Chorando descerei à sepultura ao lado do meu filho."
Enquanto isso, no Egito, José foi vendido a Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda. Embora sua vida tivesse tomado um rumo inesperado e doloroso, Deus estava com José, e ele prosperou na casa de seu senhor egípcio.
Essa história, cheia de traição, dor e mistério, revela como os planos de Deus são maiores do que os dos homens. Embora os irmãos de José tenham agido com malícia, Deus usaria aquela situação para cumprir um propósito maior, não apenas para José, mas para toda a família de Israel e, eventualmente, para o mundo. A túnica colorida, símbolo do amor de Jacó, tornou-se um símbolo da provisão e do cuidado de Deus, mesmo nas circunstâncias mais sombrias.